Entenda Turbo e Aspirado

     A preparação turbo consiste no uso de um turbocompressor ligado à saída dos gases de escapamento. Este compressor é dividido em duas partes. A parte quente, acionada pelos gases do escapamento resultantes da combustão, aciona a parte fria da turbina, que comprime a mistura ar combustível, fazendo com que esta preencha melhor os cilindros, gerando mais pressão sobre os mesmos e consequentemente maior potência. Aproveita-se assim a energia térmica e cinética que normalmente seria desperdiçada no escapamento.

     As vantagens da preparação turbo ficam por conta do aumento do torque disponível (na aspirada o torque diminui na maior parte dos casos) e do grande aumento de potência produzido pelo turbo. Mas vale ressaltar que a preparação turbo só é economicamente viável quando a pressão utilizada for maior que 0,4 kg/cm². Com pressões menores o aumento de potência não é tão satisfatório e a relação custo/benefício da preparação aspirada seria melhor.

     Outra vantagem do turbo é que torque e potência máximos são obtidos em regimes próximos aos do motor original, ao contrário da preparação aspirada. Nesta, o torque máximo é obtido em rotação mais elevada e a potência é, em muitos casos, obtida em regime acima do limite de giros do motor original (o comando de válvulas mais "bravo" permite que o motor trabalhe em rotações mais altas). O motor aspirado precisa girar mais para admitir maior quantidade de mistura em um determinado período de tempo, gerando mais potência. No turbo a sobre pressão faz este papel, por isso o motor não precisa atingir rotações mais elevadas.

     A preparação turbo é indicada principalmente em motores de baixa cilindrada, como os de 1.000 cm3, pois eleva o torque disponível em praticamente todos os regimes, desde que a turbina utilizada tenha sido corretamente escolhida para este fim. Turbinas muito grandes fazem com que seu funcionamento efetivo seja sentido em rotações mais altas, enquanto as menores entram em ação mais cedo: neste caso o motor se comporta como se tivesse maior cilindrada, sobretudo por causa do torque disponível em baixos giros.

     Turbina de pequenas dimensões e baixa inércia, providência importante para respostas rápidas em baixa rotação. Neste ponto, muitos já devem estar se perguntando: é possível combinar ambas as técnicas de preparação? A resposta é sim! Atualmente é muito comum a troca do comando de válvulas em um motor turbo por outro com levantamento e tempo de abertura um pouco maiores, aproveitando a facilidade com que a turbina comprime a mistura dentro dos cilindros, aumentando ainda mais a potência e mantendo bom torque em baixos giros. Várias outras combinações são possíveis, como o uso de carburador maior em motor turbo (ou corpo de borboletas de maior diâmetro, em um carro com injeção), para melhorar a alimentação do motor em rotações mais elevadas.


     Coletor de admissão e filtro de ar também podem ser substituídos para um melhor rendimento do aspirado. Uma turbina pequena pode ser instalada em um carro com motor multiválvula para compensar seu baixo rendimento em rotações mais baixas, mas para tanto será necessária uma turbina de baixíssima inércia (como a usada no Golf, Passat e Audi 20V turbo). Ela deixará o carro com reações mais rápidas e comportamento mais uniforme, além de aumentar a quantidade de mistura nos cilindros nas altas rotações, que já é excelente neste tipo de motor aspirado. Tudo depende da criatividade do preparador e do objetivo da preparação. Não existe limite: as técnicas de preparação aspirada podem ser combinadas com as de preparação turbo, resultando em torque abundante em baixos giros e ótimo rendimento em altas rotações.



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